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Leiria:Fornecimento de energia deficiente lesa empresas
Um inquérito realizado pela NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria a empresários do distrito, para avaliar a qualidade do serviço da EDP, conclui que o fornecimento de energia elétrica é deficiente e influencia a competitividade das empresas.
"O inquérito realizado pela NERLEI aos seus associados e 250 maiores empresas do distrito para avaliação da qualidade dos serviços da EDP leva-nos a concluir que o fornecimento de energia elétrica é deficiente e influencia negativamente a competitividade das empresas do distrito", anunciou a associação.
Das 413 empresas inquiridas, 91,8 por cento afirmam que foram afetadas por cortes de energia no ano de 2009 e destas quase 40 por cento asseguram que os cortes de energia acontecem sempre que há mau tempo.
Segundo a NERLEI, esta é uma situação que os empresários dizem não compreender, "pois consideram que a rede de distribuição deveria estar melhor preparada para resistir às condições atmosféricas adversas".
Quando questionados sobre as causas dos cortes/falhas de energia, apesar de 37,9 por cento das empresas referirem que são as condições atmosféricas adversas que estão na sua origem, "é de salientar que 62,1 por cento indicam causas diretamente imputáveis à empresa distribuidora", como a falta de manutenção das linhas e a ausência de investimentos na atualização e modernização da rede.
"Das 379 empresas que sofreram cortes de energia em 2009, apenas 16,8 por cento consideram que os efeitos desses cortes na actividade da empresa foram praticamente nulos", informa a NERLEI, justificando com o facto de várias dessas empresas terem fontes de alimentação alternativas.
O inquérito revela também que, apesar das falhas de energia registadas serem, na sua maioria, de curta duração, "os seus efeitos na actividade das empresas são, mesmo assim, muito graves".
"De uma forma geral, as empresas são deveras penalizadas, sendo o efeito mais leve a diminuição de produtividade por paragem de trabalhadores, máquinas e equipamentos (apontado por 41,3 por cento das empresas), o que num país onde o aumento da produtividade é essencial à sobrevivência das empresas na economia global é deveras sintomático", refere a associação.
Neste âmbito, os empresários apontaram ainda os custos de avarias em máquinas e equipamentos provocados pelos cortes de energia, o incumprimento de prazos de entrega e a perda de clientes, a que acresce "a dificuldade em estabelecer um relacionamento fácil e eficaz com a EDP" e a incompreensão por a empresa "não assumir os custos dos prejuízos causados nas empresas pelo deficiente fornecimento de energia elétrica".
O presidente da NERLEI, Ribeiro Vieira, disse à agência Lusa que os resultados do inquérito já foram enviados para a EDP, aguardando, à semelhança do que tem sucedido no passado, uma reunião entre a administração da empresa e a direção da associação no sentido de expor esta problemática.
Ribeiro Vieira admitiu alguma surpresa face às conclusões deste trabalho, pois acreditava que "já tivesse havido mais progressos", defendendo a necessidade de "melhorar as condições do fornecimento de energia, que é uma variável fundamental para a produtividade e competitividade das empresas".
04-02-201017
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